Barreto Marques Advocacia e Consultoria

Leilão de imóveis

Quanto custa um imóvel de leilão além do lance: ITBI, comissão, registro e desocupação

Quanto custa um imóvel de leilão além do lance: comissão de 5%, ITBI de 3% no DF, registro, dívidas, desocupação e reforma. Veja como montar a conta antes.

Dr. Rafael Barreto Marques

Por Dr. Rafael Barreto Marques · OAB/DF 34.266

Publicado em · Revisado em · 6 min de leitura

Resposta rápida

Além do lance, o arrematante costuma pagar comissão do leiloeiro, em regra de 5%, ITBI, que no DF é de 3% sobre o valor da arrematação, custas e emolumentos de carta e registro, débitos que o edital lhe atribuir, custos de desocupação e reforma, além de condomínio e IPTU que vencem até a posse. Só com 8% obrigatórios, o desconto mínimo já precisa ser maior.

O essencial em 5 pontos

  • Comissão do leiloeiro e ITBI somam, em regra, 8% do lance no DF antes de qualquer outra despesa.
  • Registro, certidões e custas variam conforme a tabela de emolumentos e o valor do imóvel.
  • Dívidas de condomínio e IPTU podem ou não ficar com o arrematante, conforme o edital e o tipo de leilão.
  • Desocupação e tempo parado são os custos mais subestimados do leilão.
  • Na revenda com lucro, incide imposto sobre ganho de capital a partir de 15% para pessoa física.
Neste artigo
  1. Quanto custa um imóvel de leilão além do lance?
  2. Quais são os custos obrigatórios?
  3. Quais custos dependem do edital?
  4. Quais custos dependem do imóvel e do tempo?
  5. Como montar a conta antes de dar o lance?
  6. Qual erro mais compromete a margem?
  7. Quando procurar um advogado

O imóvel vale cerca de R$ 500 mil no mercado e o lance mínimo está em R$ 300 mil. A diferença parece lucro certo desde o início, mas não é. Entre o lance e o dia em que você entra no imóvel com as chaves na mão há uma sequência de custos obrigatórios e eventuais que, somados, podem reduzir bastante a margem. Conhecê-los antes do lance é o que separa o investimento do susto.

Quanto custa um imóvel de leilão além do lance?

Além do lance, prepare-se para pagar pelo menos a comissão do leiloeiro, normalmente de 5%, e o ITBI, de 3% no DF, que somam 8% sobre o valor arrematado. A esses custos se acrescentam registro, certidões, débitos atribuídos pelo edital, desocupação, reforma e despesas do período até a posse.

Os custos se dividem em três grupos:

  1. Obrigatórios e previsíveis: comissão do leiloeiro, ITBI, custas da carta de arrematação e emolumentos de registro.
  2. Dependentes do edital: dívidas de condomínio, IPTU e outras despesas que o edital transfira ao arrematante.
  3. Dependentes da situação do imóvel: desocupação, reforma, manutenção, condomínio e IPTU durante a espera.

O primeiro grupo é fácil de calcular. O segundo exige leitura cuidadosa do edital. O terceiro é o que mais surpreende, porque depende do tempo, e tempo custa dinheiro. A etapa de registro, que concentra boa parte dos custos obrigatórios, está detalhada na página sobre registro da arrematação: carta, ITBI e cartório.

Quais são os custos obrigatórios?

Os custos obrigatórios são aqueles que existem em praticamente toda arrematação: comissão do leiloeiro, ITBI, custas para expedição da carta de arrematação (no leilão judicial) ou emolumentos do instrumento de compra (no extrajudicial), e os emolumentos do cartório de registro de imóveis.

ItemReferênciaBaseObservação
Comissão do leiloeiroEm regra 5%Valor do lancePaga à parte, conforme o edital
ITBI no DF3%Valor da arremataçãoCobrado pela Secretaria de Economia do DF
Carta de arremataçãoCustas judiciaisTabela do tribunalSó no leilão judicial
Registro na matrículaEmolumentosTabela vigente e valor do atoVaria por faixa de valor
CertidõesValor por certidãoTabela de cada órgãoPessoais e do imóvel

Com um lance de R$ 300 mil, a comissão de 5% representa R$ 15 mil e o ITBI de 3% representa R$ 9 mil. São R$ 24 mil antes de qualquer outro gasto. Registro e certidões dependem da tabela de emolumentos vigente no DF e devem ser calculados caso a caso. O artigo sobre ITBI na arrematação explica por que a base de cálculo é o valor do lance e o que fazer se o fisco exigir outro valor.

Quais custos dependem do edital?

Dívidas de condomínio, IPTU e taxas vinculadas ao imóvel podem ficar com o arrematante ou ser pagas com o preço, conforme o tipo de leilão e o que o edital diz. É nesse grupo que um mesmo imóvel pode ser excelente ou ruim, dependendo de uma única cláusula.

No leilão judicial, os tributos anteriores se sub-rogam no preço, e o STJ invalidou a cláusula de edital que os transfere ao arrematante, com modulação para editais posteriores ao julgamento. Veja os detalhes em IPTU atrasado em imóvel de leilão. Já o condomínio, por ser obrigação propter rem, depende muito do que o edital informa: quando a dívida é mencionada, a tendência é que o arrematante responda por ela.

No leilão extrajudicial de bancos, o edital costuma definir tudo. Há instituições que quitam débitos até a data da venda e outras que transferem ao comprador todos os valores pendentes. Antes do lance, peça a declaração de débitos ao condomínio e consulte a situação fiscal do imóvel.

Quais custos dependem do imóvel e do tempo?

Desocupação, reforma e despesas de manutenção dependem do estado do imóvel e de quanto tempo ele leva para ficar disponível. São os custos mais subestimados, porque não aparecem em nenhum documento e crescem a cada mês.

Desocupação

Se o imóvel está ocupado, a desocupação pode ocorrer por acordo ou por ação judicial. Os custos envolvem custas processuais, diligências, eventual valor pago ao ocupante para saída antecipada e honorários advocatícios. A taxa de ocupação de 1% ao mês, prevista para a alienação fiduciária, pode compensar parte disso quando o ocupante tem patrimônio. O artigo quanto tempo demora para desocupar um imóvel de leilão ajuda a estimar esse prazo.

Condomínio e IPTU durante a espera

Desde a arrematação, as cotas de condomínio e o IPTU que vencem são do arrematante, mesmo que ele ainda não tenha a posse. Em um apartamento de Águas Claras ou do Noroeste, com condomínio elevado, alguns meses de espera representam valor significativo.

Reforma

Imóveis de leilão costumam ser vendidos no estado em que se encontram, muitas vezes sem visita interna. Reserve margem para reforma e para surpresas, como instalações danificadas ou retirada de entulho.

Custo do capital parado

O dinheiro do lance fica imobilizado enquanto o imóvel não gera renda nem pode ser vendido. Se o seu objetivo é rentabilidade, esse custo de oportunidade precisa entrar na conta.

Como montar a conta antes de dar o lance?

Monte a conta de trás para frente: parta do valor realista de venda ou de aluguel, desconte todos os custos e a margem que você exige, e só então chegue ao lance máximo. Quem faz o caminho inverso, partindo do lance mínimo, costuma subestimar a despesa total.

Um roteiro simples:

  1. Valor de mercado realista do imóvel, considerando região, estado e liquidez.
  2. Menos 8% de comissão e ITBI, no caso do DF, sobre o lance pretendido.
  3. Menos registro, certidões e custas, conforme tabela.
  4. Menos dívidas que o edital transfere ao arrematante.
  5. Menos desocupação, reforma e despesas mensais até a posse ou a revenda.
  6. Menos tributo sobre ganho de capital, se o plano for revender: para pessoa física, a alíquota começa em 15% sobre o lucro.
  7. Menos a margem mínima que justifica o risco.

O resultado é o seu lance máximo. Se ele ficar abaixo do lance mínimo do edital, o imóvel não serve para você, por mais atraente que pareça o desconto.

Qual erro mais compromete a margem?

O erro que mais compromete a margem é calcular o desconto sobre o lance mínimo, sem somar os custos de transação e o tempo até a posse. Logo depois vêm a disputa emocional de lances, que empurra o valor além do planejado, e a leitura apressada da cláusula de débitos do edital.

Também é comum esquecer que a comissão do leiloeiro não é devolvida com facilidade se a arrematação for desfeita por motivo atribuído ao arrematante, e que o ITBI precisa ser pago para registrar o imóvel, mesmo que a desocupação ainda esteja longe de terminar.

Quando procurar um advogado

Procure apoio técnico antes de definir o seu lance máximo, quando a análise do edital, da matrícula e do processo ainda pode mudar a decisão. O custo de uma análise prévia é conhecido; o custo de uma cláusula mal lida pode consumir toda a margem do negócio.

Situações concretas em que a orientação faz diferença:

  • O edital menciona dívidas de condomínio ou tributos e você não sabe se elas serão suas.
  • O imóvel está ocupado e você precisa estimar prazo e custo da desocupação.
  • A Secretaria de Economia exigiu ITBI sobre valor maior que o lance.
  • Você arrematou e recebeu cobranças antigas que não estavam no seu planejamento.
  • Você pretende revender e quer entender o impacto tributário antes de comprar.

O escritório faz análise de edital, matrícula e processo antes do lance e acompanha o arrematante até o registro e a posse, com atendimento presencial em Taguatinga e on-line. Para estudar um leilão específico, entre em contato pelo formulário.

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

A comissão do leiloeiro é sempre 5%?

No leilão judicial, a comissão costuma ser de 5% sobre o lance, conforme fixado no edital ou pelo juiz. No leilão extrajudicial, o percentual também é definido no edital e frequentemente segue o mesmo patamar. Confira sempre o documento, porque a comissão é paga à parte e não integra o preço.

O ITBI é calculado sobre o lance ou sobre o valor de avaliação?

Na arrematação, a base de cálculo do ITBI é o valor da arrematação. O STJ, no Tema 1.113, afastou a imposição unilateral de valor de referência pelo município. No DF, a alíquota é de 3%, cobrada pela Secretaria de Economia.

Quanto custa a desocupação de um imóvel de leilão?

Não há valor fixo. O custo inclui custas processuais, diligências de oficial de justiça, eventual acordo com o ocupante, honorários advocatícios e, principalmente, o tempo em que você paga condomínio e IPTU sem usar o imóvel. Em imóveis desocupados, esse item pode ser mínimo.

Posso abater do lance as dívidas que vou pagar?

O lance é livre, e a forma correta de considerar as dívidas é reduzir o valor máximo que você está disposto a oferecer. Depois da arrematação, não há abatimento automático. Por isso o levantamento de débitos e a leitura do edital precisam acontecer antes do lance.

Dr. Rafael Barreto Marques

Conteúdo revisado por Dr. Rafael Barreto Marques · OAB/DF 34.266

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