ITBI na arrematação: a base de cálculo é o valor do lance?
ITBI na arrematação: por que a base de cálculo é o valor do lance, o que decidiu o STJ no Tema 1.113 e como agir se o DF cobrar sobre valor maior.
Leilão de imóveis
Quanto custa um imóvel de leilão além do lance: comissão de 5%, ITBI de 3% no DF, registro, dívidas, desocupação e reforma. Veja como montar a conta antes.
Por Dr. Rafael Barreto Marques · OAB/DF 34.266
Resposta rápida
Além do lance, o arrematante costuma pagar comissão do leiloeiro, em regra de 5%, ITBI, que no DF é de 3% sobre o valor da arrematação, custas e emolumentos de carta e registro, débitos que o edital lhe atribuir, custos de desocupação e reforma, além de condomínio e IPTU que vencem até a posse. Só com 8% obrigatórios, o desconto mínimo já precisa ser maior.
O imóvel vale cerca de R$ 500 mil no mercado e o lance mínimo está em R$ 300 mil. A diferença parece lucro certo desde o início, mas não é. Entre o lance e o dia em que você entra no imóvel com as chaves na mão há uma sequência de custos obrigatórios e eventuais que, somados, podem reduzir bastante a margem. Conhecê-los antes do lance é o que separa o investimento do susto.
Além do lance, prepare-se para pagar pelo menos a comissão do leiloeiro, normalmente de 5%, e o ITBI, de 3% no DF, que somam 8% sobre o valor arrematado. A esses custos se acrescentam registro, certidões, débitos atribuídos pelo edital, desocupação, reforma e despesas do período até a posse.
Os custos se dividem em três grupos:
O primeiro grupo é fácil de calcular. O segundo exige leitura cuidadosa do edital. O terceiro é o que mais surpreende, porque depende do tempo, e tempo custa dinheiro. A etapa de registro, que concentra boa parte dos custos obrigatórios, está detalhada na página sobre registro da arrematação: carta, ITBI e cartório.
Os custos obrigatórios são aqueles que existem em praticamente toda arrematação: comissão do leiloeiro, ITBI, custas para expedição da carta de arrematação (no leilão judicial) ou emolumentos do instrumento de compra (no extrajudicial), e os emolumentos do cartório de registro de imóveis.
| Item | Referência | Base | Observação |
|---|---|---|---|
| Comissão do leiloeiro | Em regra 5% | Valor do lance | Paga à parte, conforme o edital |
| ITBI no DF | 3% | Valor da arrematação | Cobrado pela Secretaria de Economia do DF |
| Carta de arrematação | Custas judiciais | Tabela do tribunal | Só no leilão judicial |
| Registro na matrícula | Emolumentos | Tabela vigente e valor do ato | Varia por faixa de valor |
| Certidões | Valor por certidão | Tabela de cada órgão | Pessoais e do imóvel |
Com um lance de R$ 300 mil, a comissão de 5% representa R$ 15 mil e o ITBI de 3% representa R$ 9 mil. São R$ 24 mil antes de qualquer outro gasto. Registro e certidões dependem da tabela de emolumentos vigente no DF e devem ser calculados caso a caso. O artigo sobre ITBI na arrematação explica por que a base de cálculo é o valor do lance e o que fazer se o fisco exigir outro valor.
Dívidas de condomínio, IPTU e taxas vinculadas ao imóvel podem ficar com o arrematante ou ser pagas com o preço, conforme o tipo de leilão e o que o edital diz. É nesse grupo que um mesmo imóvel pode ser excelente ou ruim, dependendo de uma única cláusula.
No leilão judicial, os tributos anteriores se sub-rogam no preço, e o STJ invalidou a cláusula de edital que os transfere ao arrematante, com modulação para editais posteriores ao julgamento. Veja os detalhes em IPTU atrasado em imóvel de leilão. Já o condomínio, por ser obrigação propter rem, depende muito do que o edital informa: quando a dívida é mencionada, a tendência é que o arrematante responda por ela.
No leilão extrajudicial de bancos, o edital costuma definir tudo. Há instituições que quitam débitos até a data da venda e outras que transferem ao comprador todos os valores pendentes. Antes do lance, peça a declaração de débitos ao condomínio e consulte a situação fiscal do imóvel.
Desocupação, reforma e despesas de manutenção dependem do estado do imóvel e de quanto tempo ele leva para ficar disponível. São os custos mais subestimados, porque não aparecem em nenhum documento e crescem a cada mês.
Se o imóvel está ocupado, a desocupação pode ocorrer por acordo ou por ação judicial. Os custos envolvem custas processuais, diligências, eventual valor pago ao ocupante para saída antecipada e honorários advocatícios. A taxa de ocupação de 1% ao mês, prevista para a alienação fiduciária, pode compensar parte disso quando o ocupante tem patrimônio. O artigo quanto tempo demora para desocupar um imóvel de leilão ajuda a estimar esse prazo.
Desde a arrematação, as cotas de condomínio e o IPTU que vencem são do arrematante, mesmo que ele ainda não tenha a posse. Em um apartamento de Águas Claras ou do Noroeste, com condomínio elevado, alguns meses de espera representam valor significativo.
Imóveis de leilão costumam ser vendidos no estado em que se encontram, muitas vezes sem visita interna. Reserve margem para reforma e para surpresas, como instalações danificadas ou retirada de entulho.
O dinheiro do lance fica imobilizado enquanto o imóvel não gera renda nem pode ser vendido. Se o seu objetivo é rentabilidade, esse custo de oportunidade precisa entrar na conta.
Monte a conta de trás para frente: parta do valor realista de venda ou de aluguel, desconte todos os custos e a margem que você exige, e só então chegue ao lance máximo. Quem faz o caminho inverso, partindo do lance mínimo, costuma subestimar a despesa total.
Um roteiro simples:
O resultado é o seu lance máximo. Se ele ficar abaixo do lance mínimo do edital, o imóvel não serve para você, por mais atraente que pareça o desconto.
O erro que mais compromete a margem é calcular o desconto sobre o lance mínimo, sem somar os custos de transação e o tempo até a posse. Logo depois vêm a disputa emocional de lances, que empurra o valor além do planejado, e a leitura apressada da cláusula de débitos do edital.
Também é comum esquecer que a comissão do leiloeiro não é devolvida com facilidade se a arrematação for desfeita por motivo atribuído ao arrematante, e que o ITBI precisa ser pago para registrar o imóvel, mesmo que a desocupação ainda esteja longe de terminar.
Procure apoio técnico antes de definir o seu lance máximo, quando a análise do edital, da matrícula e do processo ainda pode mudar a decisão. O custo de uma análise prévia é conhecido; o custo de uma cláusula mal lida pode consumir toda a margem do negócio.
Situações concretas em que a orientação faz diferença:
O escritório faz análise de edital, matrícula e processo antes do lance e acompanha o arrematante até o registro e a posse, com atendimento presencial em Taguatinga e on-line. Para estudar um leilão específico, entre em contato pelo formulário.
Dúvidas comuns
No leilão judicial, a comissão costuma ser de 5% sobre o lance, conforme fixado no edital ou pelo juiz. No leilão extrajudicial, o percentual também é definido no edital e frequentemente segue o mesmo patamar. Confira sempre o documento, porque a comissão é paga à parte e não integra o preço.
Na arrematação, a base de cálculo do ITBI é o valor da arrematação. O STJ, no Tema 1.113, afastou a imposição unilateral de valor de referência pelo município. No DF, a alíquota é de 3%, cobrada pela Secretaria de Economia.
Não há valor fixo. O custo inclui custas processuais, diligências de oficial de justiça, eventual acordo com o ocupante, honorários advocatícios e, principalmente, o tempo em que você paga condomínio e IPTU sem usar o imóvel. Em imóveis desocupados, esse item pode ser mínimo.
O lance é livre, e a forma correta de considerar as dívidas é reduzir o valor máximo que você está disposto a oferecer. Depois da arrematação, não há abatimento automático. Por isso o levantamento de débitos e a leitura do edital precisam acontecer antes do lance.
Conteúdo revisado por Dr. Rafael Barreto Marques · OAB/DF 34.266
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